Dinheiro Sujo, Alma Limpa!
Saí de casa domingo passado, por volta de meio dia com destino á Feira de Artesanato da Torre, aqui em Brasília. Depois iria almoçar com minha irmã caçula na nova casa dela, e aproveitei para levar meu computador antigo que eu estava tentando doa-lo a quase um ano. Minha irmã trabalha para uma ONG, de um amigo dela, cuja finalidade é promover a inclusão digital. A instituição recebe o computador velho, conserta e depois doa para escolas e telecentros. Era a terceira vez este ano que eu colocava o mesmo computador para mais uma tentativa de doação. Mesmo depois da peleja que é descer quatro lances de escada com um objeto pesado, mesmo sabendo que meu apartamento é minúsculo, mesmo sabendo que eu tenho um computador novo em casa, ainda assim, na hora de dar o PC, eu sempre desisto. Puro apego.
Na primeira tentativa escolhi uma escola pública para cegos. Fui até lá, conheci a escola, e não bastava entregar o computador, eu quis mais confusão. Cadastrei para ser ledora, mas isto é outra história. Por tratar-se de pessoa pública a doação não era muito fácil, não. Mesmo assim enviei o computador para manutenção, para que eu pudesse entregá-lo em perfeitas condições, funcionando bem. Levei numa oficina próxima da minha casa, levei CPU e monitor, embora eu saiba que em geral a CPU basta. Mas empresas públicas quase nunca têm verba para manutenção, e vai que tivesse um defeitinho no monitor? Três dia para fazer o orçamento, ai ligamos para dizer quanto é. Tudo bem. Fico agudando. Obrigada. Apareci na semana seguinte, mesmo sem nenhum contato da empresa. Qual o nome? Trouxe o protocolo? não, ainda não foi feito o orçamento. Vou levar a máquina. Não, não eu faço agora mesmo. Dependendo do que for, conserto agora. Meia hora depois. É memoria. 300,00. Memoria? é. Faz só um um bakcup, que eu não vou consertar. Beleza. O backup é 20,00 em CD, e 5,00 no pendrive. Tá então vou buscar o pen drive. Meia hora depois quando cheguei o computador estava todo prosa funcionando, e sem troca de memória. Coloquei memoria nova só para fazer o back up.
O computador ficou no porta malas do carro por quase um mês. Nem doação, nem conserto.
Até que num daqueles dias em que você resolve resolver tudo, fui direto para 207N no setor de compra, venda e manutenção de informática. Segundo diagnóstico: placa mãe queimada. Fica em 200,00. Não, não faz o conserto não, muito caro. Sou persistente, fui tentar mais uma vez. Quando o atendente da próxima loja viu que teria que carregar CPU e monitor, sem nem ligar o monitor o cara disse que estava tudo bem e que não iria ficar com o monitor. Ai eu pensei: vou ter que subir novamente com este computador, esperar o CPU consertar e descer de novo as escadas. Desisto. Levei numa próxima loja deixei para consertar, com a indicação que poderiam fazer o serviço fosse o preço que fosse. De novo.
Uns três dias depois o dono da loja liga e diz que não tinha nada no PC era apenas a chave que estava em 220 e ele só funciona com 110 e transformador. Legal. Passei lá para buscar. Ficou 80,00, pois fizemos limpeza na memória.Busquei a máquina num sábado não daria para levar na Escola de Cegos, para finalmente fazer a doação. Meu filho, que estava comigo, não perdeu tempo: leva direto para casa mãe, ai eu coloco joguinho nele e fico com dois. Tá . Então tá. Quer saber, fica mais fácil. Subimos os quatro lances de escada, e eu pensando, mas porque que eu to trazendo esta máquina para casa novamente? Fomos montar a benção do computador, fora de uso há quase um ano. Não achamos o cabo de força, nem o teclado, nem o mouse. Então colocamos num cantinho até arranjar um local mais adequado. Passaram dois meses e nada e o computador continuava inutilizado, no mesmo cantinho.
Até que num daqueles dias em que você resolve resolver tudo, fui direto para 207N no setor de compra, venda e manutenção de informática. Segundo diagnóstico: placa mãe queimada. Fica em 200,00. Não, não faz o conserto não, muito caro. Sou persistente, fui tentar mais uma vez. Quando o atendente da próxima loja viu que teria que carregar CPU e monitor, sem nem ligar o monitor o cara disse que estava tudo bem e que não iria ficar com o monitor. Ai eu pensei: vou ter que subir novamente com este computador, esperar o CPU consertar e descer de novo as escadas. Desisto. Levei numa próxima loja deixei para consertar, com a indicação que poderiam fazer o serviço fosse o preço que fosse. De novo.
Uns três dias depois o dono da loja liga e diz que não tinha nada no PC era apenas a chave que estava em 220 e ele só funciona com 110 e transformador. Legal. Passei lá para buscar. Ficou 80,00, pois fizemos limpeza na memória.Busquei a máquina num sábado não daria para levar na Escola de Cegos, para finalmente fazer a doação. Meu filho, que estava comigo, não perdeu tempo: leva direto para casa mãe, ai eu coloco joguinho nele e fico com dois. Tá . Então tá. Quer saber, fica mais fácil. Subimos os quatro lances de escada, e eu pensando, mas porque que eu to trazendo esta máquina para casa novamente? Fomos montar a benção do computador, fora de uso há quase um ano. Não achamos o cabo de força, nem o teclado, nem o mouse. Então colocamos num cantinho até arranjar um local mais adequado. Passaram dois meses e nada e o computador continuava inutilizado, no mesmo cantinho.
Até que neste último domingo, num daqueles dias em que você resolve resolver tudo. Desci mais uma vez quatro lances de escada, decidida a levar o pc para esta minha irmã que trabalha com um amigo que tem uma ONG e blá, blá, blá , desencanei da Escola de Cegos,pois não havia condições imediata de uso e no projeto do amigo da minha irmã, eles consertam. No trajeto até a feira fui pensando o porquê de tanta dificuldade em doar o computador.
Meu primeiro computador. Comprei em 2001, em Belo horizonte, com um bendito dinheiro de uma penosa (sempre é) recisão trabalhista. Estes processos arrastados, em que você diz meias verdades o empregador diz meias mentiras e o trabalhador em geral sai vitorioso ganhei horas extras e adicionais noturno. Acho até que muito justo. O dinheiro era meu. Mas sei lá, parece que estas coisas arrastadas, com mágoas, atrasam a vida da gente. Lembrei da minha mãe falando, dinheiro sujo até compra , mas as coisas não vingam. Foi assim com este computador. Comprei por 1.500,00 ( o total da indenização foi 3.000,00) com intenção de trabalhar com produção de vídeos e criação de design para estamparia de camiseta. Chique né? A máquina foi toda montada, colocamos uma super placa de vídeo, ampliei a memória (a dita) e agora, passados dez anos, nenhuma camiseta, nenhum vídeo e uma super obsoleta placa de vídeo. Meu novo negócio foi um fracasso, nada deu certo, mas arrastei este computador nas costas, nestes últimos dez anos, por todos os lugares que morei.
Ele era o última prova concreta de que eu havia feito alguma coisa pelos meus sonhos.
Meu primeiro computador. Comprei em 2001, em Belo horizonte, com um bendito dinheiro de uma penosa (sempre é) recisão trabalhista. Estes processos arrastados, em que você diz meias verdades o empregador diz meias mentiras e o trabalhador em geral sai vitorioso ganhei horas extras e adicionais noturno. Acho até que muito justo. O dinheiro era meu. Mas sei lá, parece que estas coisas arrastadas, com mágoas, atrasam a vida da gente. Lembrei da minha mãe falando, dinheiro sujo até compra , mas as coisas não vingam. Foi assim com este computador. Comprei por 1.500,00 ( o total da indenização foi 3.000,00) com intenção de trabalhar com produção de vídeos e criação de design para estamparia de camiseta. Chique né? A máquina foi toda montada, colocamos uma super placa de vídeo, ampliei a memória (a dita) e agora, passados dez anos, nenhuma camiseta, nenhum vídeo e uma super obsoleta placa de vídeo. Meu novo negócio foi um fracasso, nada deu certo, mas arrastei este computador nas costas, nestes últimos dez anos, por todos os lugares que morei.
Ele era o última prova concreta de que eu havia feito alguma coisa pelos meus sonhos.
No caminho, antes de chegar à feira parei para abastecer, fiz o retorno e veio um garoto entregar papéis de propaganda, eu sempre recebo todos. Guardo no carro e depois levo para reciclar, quase nunca leio. O garoto viu o computador no carro e perguntou se eu queria vende-lo para ele, eu disse que não. Que ia doar e tal. Pensei até em contar toda esta história, mas para sorte dele o sinal abriu. Fui embora, mas não fiquei tranquila, acabei retornando ao local. Parei novamente no sinal e chamei o garoto. Vai vender? Não vou doar para você. Ele ficou todo feliz. É sério? Estou montando uma lan house e estou precisando comprar umas máquinas baratas. Ele funciona? Você tem outro PC. Se não tiver por 500,00 monto uma máquina otima para você. Eu tenho, tenho sim. Como você vai levar? Onde você mora, talvez eu possa leva- lo para você, até sua casa. Ele disse que não precisava, pois no fim do dia o patrão viria busca-lo de carro.
Quando vi a máquina no chão e o sorriso do garoto, senti um alívio tão grande. Parecia que finalmente estava me livrando do peso da recisão, de tudo de ruim que havia vivido naquele emprego. Senti minha alma limpa e leve. Valeu a pena. Torço para que meu amiguinho tenha muito mais sorte que eu, em suas realizações. E de verdade, que todos vocês tenham muito mais sorte que eu.
Quando vi a máquina no chão e o sorriso do garoto, senti um alívio tão grande. Parecia que finalmente estava me livrando do peso da recisão, de tudo de ruim que havia vivido naquele emprego. Senti minha alma limpa e leve. Valeu a pena. Torço para que meu amiguinho tenha muito mais sorte que eu, em suas realizações. E de verdade, que todos vocês tenham muito mais sorte que eu.



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