Sobre Politicos e Funerais!
Quando eu li o anuncio da morte do ex-vice presidente José de Alencar, fiquei comovida. De verdade. Coisa bonita no ser humano é a superação, a capacidade de se reinventar. E ele fez isto muito bem, na saúde e na doença. Além desta capacidade de ir além eu me espelhava nele por ser um Mineiro que veio a Brasília e fez história. Ele morreu em São Paulo, mas o enterro seria aqui, em Brasília. E mais, teria um velório no Palácio do Planalto, com direito de visita de populares pela entrada principal, a rampa. Eu queria ir, por condolência, porque gosto de participar de eventos que se tornam históricos. E também queria muito subir a rampa do Palácio, confesso, achei muito chique.
O local estava cheio, mas não havia tumulto, não havia bagunça. Os jornalistas montaram tendas na lateral do Palácio, e nesta mesma lateral mais adiante fizeram uma entrada para os pupulares. O trajeto desta entrada até a rampa dava quase uns duzentos metros, era um retângulo gradeado e com seguranças armados. Você entrava pelo “portão”onde havia dois seguranças que organizavam a fila e evitava que o povo entrasse direto para dentro do palácio. Seguindo, o trajeto gradeado ia se afunilando até chegar diante de mais seguranças, revista, e detectores de metal. Ai seguíamos por mais uns trinta metros até chegar a entrada de rotina do palácio, por onde supostamente o Lula ia passar, uma parte do povo se agarrou nas grades desta região (incluindo eu), e uma outra pequena parte seguiu em frente. A rampa foi divida, de um lado só descia, do outro só subia. Quem subia, enfim entrava no salão, ainda em fila, passava por mais uns dez seguranças, olhava de longe o corpo e com mais dois passos já estava fora do salão. Aí descia a rampa e num piscar de olhos, já estava na rua.
A fila não ficava parada, o negócio era seguir adiante sempre , na rampa, dentro do salão diante do corpo. Brasileiros que somos, e não ingleses, eu não era a única perdularia a estar ali. O local de maior ibope, para todos os populares, era a rampa, claro que todo mundo parava para fotografias. Eu estava sem máquina, pedi a uma estranha que tirasse fotos de mim, e depois me enviasse por e-mail, coisa que ela nunca fez (acho até que nem mesmo a foto ela tirou). Lá pelas nove da noite, surgiu um boato de que o Lula já estava chegando. Aí o povo esqueceu do falecido e ficou todo mundo só esperando o Lula. Inclusive eu. Depois de dar umas três voltas completas fui embora, desistindo de ver o Lula. Atravessei a primeira rua, na segunda já em frente ao Supremo, num lugar ruim de atravessar , veio uma moto e parou o transito local. Assustei. Achei que era algum atentado. Juro. O cara desceu da moto colocou a mão para cima e todo mundo parou, (será que era para eu atravessar?). Eu fiquei tão assustada que paralisei. Em seguida começou uma zoeira de sirenes e mais motos, da aeronáutica. Só então me toquei. Eram os batedores do comboio Presidencial. Estavam chegando Dilma e Lula. O carro não parou em frente ao Palácio do Planalto, desceram direto rumo ao Alvorada, na certa para tomar um banho ou coisa assim.
Acreditem ou não. Resolvi voltar. Para que eu não sei. Que diferença faz, ver ou não o presidente meu Deus. Mas alguma coisa era mais forte que eu e não consegui segurar meus passos, voltei para fila. Oito vezes. Fiz o trajeto mais oito vezes, sem contar o tempo em que parei no gradeado em frente a portaria que supostamente o Lula iria entrar. Numa destas paradas, havia uma moça com uma garotinha aguardando também, e a garotinha chorava doida para ir para casa. Vamos, mãe. Calma filha, espera mais um pouco ele já vai chegar. Da próxima vez eu não trago você, viu. Ameaçou a mãe. Haveria uma próxima vez? A rampa só abre ao povo para funerais de presidentes e ex presidentes. A menina deveria ter uns sete anos,quem morreria nos próximos dez anos, antes daquela menina deixar de ser uma criancinha? Dá próxima vez você não vem. Segui na fila mais umas quatro vezes e nada de Lula. Cansei. Fui embora. Dez minutos depois, já em casa. Vi o Lula pela televisão, acabara de chegar. Se la vie.
Tempos depois faleceu o ex Presidente Itamar Franco. Como uma previsão daquela moça, haveria sim uma próxima vez. Mas os familiares do Presidente prefiram o Palácio em Minas. E falo a verdade, eu estava lá mais uma vez. Não há rampas, mas eu já estava em Minas, fui para resolver uns probleminhas de família e não resisti, apareci para o Adeus ao presidente. Celeste, Celeste diria a minha mãe. Você não se emenda, né?
Mas este post era sobre politica e não apenas funerais. É o primeiro deste tema e achei interessante começar falando de dois políticos anunciados pela mídia como honestos e eficazes dentro de suas atribuições. Mineiros, sóbrios, discretos e teimosos. O que esperar de nossos representantes? Que valor tem um voto nosso? O que podemos e queremos mudar deste País? Como fazer valer nossa voz no Congresso?
PS:Escrevi este post há alguns meses, nunca poderia imaginar a doença do Presidente Lula.
PS:Escrevi este post há alguns meses, nunca poderia imaginar a doença do Presidente Lula.
Marcadores: Brasilia, Itamar Franco, José de Alencar, Minas Gerais, Palacio do Planalto, Rampa



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